segunda-feira, 18 de maio de 2009

Introdução

O romantismo regionalista surgiu durante o século XIX, inicialmente nas obras de José de Alencar, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay e Franklin Távora. A temática principal observada nesses textos é a vida rural da sociedade da época em determinadas regiões do Brasil, desde o extremo Sul, o interior fluminense, o planalto paulista e até o Nordeste.
Esse tipo de prosa tem como projeto a consolidação da identidade nacional através da representação das angústias, comportamentos, costumes e valores de uma sociedade rural totalmente oposta aos padrões da corte. Os territórios nacionais narrados nos romances regionalistas eram idealizados e retratados com um tom heróico, a fim de formar uma imagem grandiosa e valorizar os espaços brasileiros em relação aos moldes europeus, que ainda influenciam muito a região litoral.


Caracteristicas da Narrativa
Os autores dos romances regionalistas começaram as suas carreiras publicando suas obras primeiramente na forma de folhetins. Conforme o interesse do público crescia, eles juntavam os capítulos e os organizam em um livro, acrescentando a ele somente a sua origem.
A maior parte dos romances publicados em língua portuguesa tinha suas origens vindas de Portugal, mas os autores brasileiros contribuíram para a criação de obras com as suas próprias características.
Os romances regionalistas eram geralmente dedicados aos moradores de classe média dos centros urbanos, como o Rio de Janeiro. Alguns romances tinham trechos que ajudavam os leitores a compreender por que o brasileiro rural não tinha gosto para os romances românticos, já que viviam distantes das influências européias e não viam o conhecimento como algo precioso e necessário, mas como algo perigoso. Além disso, muitos deles associavam os livros a má influencia que estes poderiam ter sobre as moças de família.
Nos romances regionalistas, o território nacional era apresentado de forma idealizada. Os autores tentavam criar uma imagem grandiosa do Brasil através dos cenários que apareciam nesse tipo de narrativa. A partir das características geográficas brasileiras, conseguimos perceber a imensidão dos pampas gaúchos, os aspectos exóticos do interior de Minas Gerais e a natureza única do sertão nordestino.

Pinturas Regionalistas




Autores e obras Regionalistas

José de Alencar (1829-1877)

Nascido no Ceará, exerceu cargos políticos durante sua vida da qual passou grande parte na cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Principais obras de Romance Regionalista:
O Sertanejo (1875)
O Gaúcho (1870)
Til (1872)
O Tronco de Ipê (1871)



Franklin Távora (1842-1888)

Cearense, atuou politicamente e cumpriu a função de transitor do romantismo para o realismo.

Principais obras de Romance Regionalista:
Um Casamento no Arrabalde (----)
O Cabeleira (1876)
O Matuto (1878)
O Sacrifício (----)


Visconde de Taunay (1843-1899)
Membro da elite do Rio de Janeiro, foi defensor da abolição e exerceu cargos militares e políticos ao longo de sua vida.

Principais obras de Romance Regionalista:
Inocência (1872)
A Retirada da Laguna (1871)





Bernardo Guimarães (1825-1884)
Nascido em Minas Gerais, promoveu, ao longo de sua vida, críticas ao celibato e exerceu cargos jurídicos
Principais obras de Romance Regionalista:
O Ermitão de Muquém (1869)
O Garimpeiro (1872)
O Ceminarista (1872)
A Escrava Isaura (1875)
O Pão de Ouro (1879)
Características das obras e principais autores

José de Alencar
(Sul)
Nesse tipo de romance Alencar se destaca por apresentar heróis regionais ou históricos em suas obras, ele também critica a presença dos portugueses, mas reconhece o valor dessa cultura na formação do pais. Caracteriza-se por revelar um quadro muito próximo da realidade, com uma natureza muito exuberante e menor foco nas mulheres.“Quando os seres habitam as estepes americanas, sejam homem, animal ou planta, inspiram nelas uma alma pampa. Tem grandes virtudes essa alma. A coragem, a sobriedade, a rapidez são indígenas de savana.” - trecho de O Gaúcho
Franklin Távora
(Nordeste)
Grande defensor do regionalismo, acreditava na visão separatista das culturas brasileiras (norte e sul). Desse modo, dava importância à necessidade do conhecimento das diferentes regiões para escrever sobre elas. Por conta disso, criticava a produção de Alencar, que, segundo ele, abordava o Brasil como um todo e, portanto não era digno de imprimir um caráter nacional. A maioria de suas obras se passavam em Pernambuco durante o século XVIII e revelavam elementos desconhecidos sobre o norte.“Proclamo uma verdade irrecusável. Norte e sul são irmãos, mas são dois. Cada um há de ter uma literatura sua, porque o gênio de um não se confunde com o de outro.”
Visconde de Taunay
(Centro- oeste)
É reconhecido como o mais equilibrado dos românticos regionalistas pelo seu senso de observação e análise e grande conhecimento das terras brasileiras. Desse modo, não dá grande importância aos sentimentos, sendo o mais realista possível. Em suas obras se caracteriza pela presença do falar colonial, o que as torna naturais e populares. Por ser tradicional, dá muito valor à honra e outros valores europeus.“Quando o sertanejo vai ficando velho, quando sente os membros cansados e entorpecidos, os olhos já enevoados pela idade, os braços frouxos para manejar a machadinha que lhe da o substancial palmito ou o saboroso mel de abelhas, procura então quem o queira para esposa, alguma viúva ou parente chegada, forma casa e escola, e prepara os filhos e enteados para a vida aventureira e livre que tantos gozos lhe deram outrora.” - trecho de Inocência
Bernardo Guimarães
Tido atualmente como um autor clichê e criticado por sua falta de originalidade, deu início a esse tipo de romance. A partir da fórmula que criou (herói nobre + patife + heroína apaixonada = conflitos até um final feliz) ganhou muita popularidade e suas obras são caracterizadas pela sua simplicidade e graciosidade.“[...]nasceu a linda e infeliz Isaura. Todavia, como para indenizá-la de tamanha desventura, uma santa mulher, um anjo de bondade, curvou-se sobre o berço da pobre criança e veio ampará-la à sombra de suas asas caridosas.” - trecho de A escrava Isaura

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